O MESSIAS NÃO VAI PELOS CAMINHOS DE DAVI - RAUL AMORIM

09/06/2017 - 18:45

Mc.12, 35-37

Na tradição judaica da época de Jesus, havia diversas e correntes messiânicas. Uma das mais importantes era a que via o messias como “Filho de Davi”, um descendente do rei que iria novamente estabelecer a monarquia em Israel. É sobre esta questão que Jesus interpela os doutores da lei. Vamos aprofundar o evangelho.

Mc. 12,35: E tomando a palavra, Jesus ensinava no Templo: “Como é que os doutores da Lei dizem que o Messias é filho de Davi?”

Jesus quer saber qual seria a identidade do Messias. A propaganda oficial tanto do governo como dos doutores da Lei dizia que o messias viria como Filho de Davi. Era o jeito de ensinar que o messias seria um grande rei, forte e dominador.

Assim foi o grito do povo no Domingo de Ramos: “Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor! Bendito o Reino que vem do nosso Pai Davi!” Assim também foi o grito do cego de Jericó: “Jesus, Filho de Davi, tem piedade de mim!”

Mc. 12,36: E Jesus continua: O próprio Davi disse, movido pelo Espírito Santo: “O Senhor disse ao meu Senhor: Sente-se à minha direita, até que eu coloque seus inimigos debaixo de seus pés”.

Quando Jerusalém foi destruída, e com ela a monarquia, o povo passou a alimentar a esperança de que Deus restauraria a sucessão nos modelos do antigo reino, sob a liderança de um novo rei-messias.

Jesus questiona o ensinamento dos doutores. Para isso faz memória do salmo atribuído a Davi: Oráculo de Javé ao meu senhor: “Sente-se à minha direita, até que eu faça dos seus inimigos um suporte para seus pés”. (Sl.110,1)

Mc. 12,37: E Jesus continua dizendo:  “O próprio Davi o chama de Senhor. Então como pode ele ser seu filho?” E a numerosa multidão o escutava com prazer.

Jesus rejeita que o Messias deva agir como um novo Davi, tratando de restaurar realezas e recuperar poderes e privilégios. Com isso, questiona também esperanças populares, como se manifestou na entrada em Jerusalém (domingo de ramos).

Jesus filho de Davi era uma expressão popular com origem da tradição judaica em homenagem ao grande rei. É uma expressão que não corresponde à realidade vivida e anunciada por Jesus. O povo se confunde muitas vezes com as aparências, com o que é superficial, por isso tira conclusões precipitadas.

 

P/ CEBI (Centro Estudos Bíblicos)

Raul de Amorim> raul4ap@gmail.com