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03/05/2010
44º DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS
MENSAGEM DO PAPA BENTO XVI
«O sacerdote e a pastoral no mundo digital: [Domingo,16 de Maio de 2010]
Queridos irmãos e irmãs! O tema do próximo Dia Mundial das Comunicações Sociais – «O sacerdote e a pastoral no mundo digital: os novos media ao serviço da Palavra» – insere-se perfeitamente no trajeto do Ano Sacerdotal e traz à ribalta a reflexão sobre um âmbito vasto e delicado da pastoral como é o da comunicação e do mundo digital, que oferece ao sacerdote novas possibilidades para exercer o seu serviço à Palavra e da Palavra. Os meios modernos de comunicação fazem parte, desde há muito tempo, dos instrumentos ordinários através dos quais as comunidades eclesiais se exprimem, entrando em contacto com o seu próprio território e estabelecendo, muito frequentemente, formas de diálogo mais abrangentes, mas a sua recente e incisiva difusão e a sua notável influência tornam cada vez mais importante e útil o seu uso no ministério sacerdotal.
A tarefa primária do sacerdote é anunciar Cristo, Palavra de Deus encarnada, e comunicar a multiforme graça divina portadora de salvação mediante os sacramentos. Convocada pela Palavra, a Igreja coloca-se como sinal e instrumento da comunhão que Deus realiza com o homem e que todo o sacerdote é chamado a edificar n’Ele e com Ele. Aqui reside a altíssima dignidade e beleza da missão sacerdotal, na qual se concretiza de modo privilegiado aquilo que afirma o apóstolo Paulo: «Na verdade, a Escritura diz: “Todo aquele que acreditar no Senhor não será confundido”. […] Portanto, todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Mas como hão de invocar Aquele em quem não acreditam? E como hão de acreditar n’Aquele de quem não ouviram falar? E como hão de ouvir falar, se não houver quem lhes pregue? E como hão de pregar, se não forem enviados?» (Rm 10,11.13-15).
Hoje, para dar respostas adequadas a estas questões no âmbito das grandes mudanças culturais, particularmente sentidas no mundo juvenil, tornaram-se um instrumento útil as vias de comunicação abertas pelas conquistas tecnológicas. De fato, pondo à nossa disposição meios que permitem uma capacidade de expressão praticamente ilimitada, o mundo digital abre perspectivas e concretizações notáveis ao incitamento paulino: «Ai de mim se não anunciar o Evangelho!» (1 Cor 9,16). Por conseguinte, com a sua difusão, não só aumenta a responsabilidade do anúncio, mas esta torna-se também mais premente reclamando um compromisso mais motivado e eficaz. A este respeito, o sacerdote acaba por encontrar-se como que no limiar de uma «história nova», porque quanto mais intensas forem as relações criadas pelas modernas tecnologias e mais ampliadas forem as fronteiras pelo mundo digital, tanto mais será chamado o sacerdote a ocupar-se disso pastoralmente, multiplicando o seu empenho em colocar os media ao serviço da Palavra.
Contudo, a divulgação dos «multimidia» e o diversificado «espectro de funções» da própria comunicação podem comportar o risco de uma utilização determinada principalmente pela mera exigência de marcar presença e de considerar erroneamente a internet apenas como um espaço a ser ocupado. Ora, aos presbíteros é pedida a capacidade de estarem presentes no mundo digital em constante fidelidade à mensagem evangélica, para desempenharem o próprio papel de animadores de comunidades, que hoje se exprimem cada vez mais frequentemente através das muitas «vozes» que surgem do mundo digital, e anunciar o Evangelho recorrendo não só aos media tradicionais, mas também ao contributo da nova geração de audiovisuais (fotografia, vídeo, animações, blogues, páginas internet) que representam ocasiões inéditas de diálogo e meios úteis inclusive para a evangelização e a catequese.
Através dos meios modernos de comunicação, o sacerdote poderá dar a conhecer a vida da Igreja e ajudar os homens de hoje a descobrirem o rosto de Cristo, conjugando o uso oportuno e competente de tais meios – adquirido já no período de formação – com uma sólida preparação teológica e uma espiritualidade sacerdotal forte, alimentada pelo diálogo contínuo com o Senhor. No impacto com o mundo digital, mais do que a mão do operador dos media, o presbítero deve fazer transparecer o seu coração de consagrado, para dar uma alma não só ao seu serviço pastoral, mas também ao fluxo comunicativo ininterrupto da «rede».
Também no mundo digital deve ficar patente que a amorosa atenção de Deus em Cristo por nós não é algo do passado nem uma teoria erudita, mas uma realidade absolutamente concreta e atual. De fato, a pastoral no mundo digital há de conseguir mostrar, aos homens do nosso tempo e à humanidade desorientada de hoje, que «Deus está próximo, que, em Cristo, somos todos parte uns dos outros» [Bento XVI, Discurso à Cúria Romana na apresentação dos votos de Natal: «L’Osservatore Romano» (21-22 de Dezembro de 2009) pág. 6].
Quem melhor do que um homem de Deus poderá desenvolver e pôr em prática, mediante as próprias competências no âmbito dos novos meios digitais, uma pastoral que torne Deus vivo e atual na realidade de hoje e apresente a sabedoria religiosa do passado como riqueza donde haurir para se viver dignamente o tempo presente e construir adequadamente o futuro? A tarefa de quem opera, como consagrado, nos media é aplanar a estrada para novos encontros, assegurando sempre a qualidade do contacto humano e a atenção às pessoas e às suas verdadeiras necessidades espirituais; oferecendo, às pessoas que vivem nesta nossa era «digital», os sinais necessários para reconhecerem o Senhor; dando-lhes a oportunidade de se educarem para a expectativa e a esperança, abeirando-se da Palavra de Deus que salva e favorece o desenvolvimento humano integral. A Palavra poderá assim fazer-se ao largo no meio das numerosas encruzilhadas criadas pelo denso emaranhado das auto-estradas que sulcam o ciberespaço e afirmar o direito de cidadania de Deus em todas as épocas, a fim de que, através das novas formas de comunicação, Ele possa passar pelas ruas das cidades e deter-se no limiar das casas e dos corações, fazendo ouvir de novo a sua voz: «Eu estou à porta e chamo. Se alguém ouvir a minha voz e Me abrir a porta, entrarei em sua casa, cearei com ele e ele comigo» (Ap 3, 20).
Na Mensagem do ano passado para idêntica ocasião, encorajei os responsáveis pelos processos de comunicação a promoverem uma cultura que respeite a dignidade e o valor da pessoa humana. Este é um dos caminhos onde a Igreja é chamada a exercer uma «diaconia da cultura» no atual «continente digital». Com o Evangelho nas mãos e no coração, é preciso reafirmar que é tempo também de continuar a preparar caminhos que conduzam à Palavra de Deus, não descurando uma atenção particular por quem se encontra em condição de busca, mas antes procurando mantê-la desperta como primeiro passo para a evangelização. Efetivamente, uma pastoral no mundo digital é chamada a ter em conta também aqueles que não acreditam, caíram no desânimo e cultivam no coração desejos de absoluto e de verdades não caducas, dado que os novos meios permitem entrar em contacto com crentes de todas as religiões, com não-crentes e pessoas de todas as culturas. Do mesmo modo que o profeta Isaías chegou a imaginar uma casa de oração para todos os povos (cf. Is 56,7), não se poderá porventura prever que a internet possa dar espaço – como o «pátio dos gentios» do Templo de Jerusalém – também àqueles para quem Deus é ainda um desconhecido?
O desenvolvimento das novas tecnologias e, na sua dimensão global, todo o mundo digital representam um grande recurso, tanto para a humanidade no seu todo como para o homem na singularidade do seu ser, e um estímulo para o confronto e o diálogo. Mas aquelas apresentam-se igualmente como uma grande oportunidade para os crentes. De fato nenhum caminho pode, nem deve, ser vedado a quem, em nome de Cristo ressuscitado, se empenha em tornar-se cada vez mais solidário com o homem. Por conseguinte e antes de mais nada, os novos media oferecem aos presbíteros perspectivas sempre novas e, pastoralmente, ilimitadas, que os solicitam a valorizar a dimensão universal da Igreja para uma comunhão ampla e concreta; a ser no mundo de hoje testemunhas da vida sempre nova, gerada pela escuta do Evangelho de Jesus, o Filho eterno que veio ao nosso meio para nos salvar. Mas, é preciso não esquecer que a fecundidade do ministério sacerdotal deriva primariamente de Cristo encontrado e escutado na oração, anunciado com a pregação e o testemunho da vida, conhecido, amado e celebrado nos sacramentos sobretudo da Santíssima Eucaristia e da Reconciliação.
A vós, queridos Sacerdotes, renovo o convite a que aproveiteis com sabedoria as singulares oportunidades oferecidas pela comunicação moderna. Que o Senhor vos torne apaixonados anunciadores da Boa Nova na «ágora» moderna criada pelos meios atuais de comunicação.
Com estes votos, invoco sobre vós a proteção da Mãe de Deus e do Santo Cura d’Ars e, com afeto, concedo a cada um a Bênção Apostólica.
Vaticano, 24 de Janeiro – Festa de São Francisco de Sales – de 2010. BENEDICTUS PP. XVI
Dom Orani João Tempesta, O. Cist.
Enquanto em nosso país discute-se se todos têm o direito humano à utilização por todos dos meios de comunicação e à liberdade de informação devido a algumas tentativas de exclusão, imposições e censuras – e temos exemplos próximos de nós dessa nova maneira de conceber a democracia –, a Igreja prepara-se para celebrar mais um Dia Mundial das Comunicações. Este foi o único “dia” criado pelo documento do Concílio, que foi um dos dois primeiros a serem aprovados – o da Comunicação! Neste Ano Sacerdotal, o Santo Padre dirige-se diretamente aos sacerdotes, mas a mensagem é válida para toda a Igreja, principalmente neste tempo de tanta comunicação. A mensagem do Papa Bento XVI para o 44° Dia Mundial das Comunicações, a ser celebrado no domingo, dia 16 de maio, que no Brasil coincide com o Dia da Ascensão do Senhor, trata da evangelização no mundo digital. O tema para este ano, no contexto do Ano Sacerdotal, figura assim: “O sacerdote e a pastoral no mundo digital: os novos media ao serviço da Palavra”. Esta mensagem mostra intensamente a solicitude papal de pastor empenhado em prol da difusão da mensagem do Evangelho. O apelo que faz aos sacerdotes de toda a Igreja revela como o seu coração arde de amor pela causa da difusão da Boa-Nova de Jesus Cristo. Ele tem profunda consciência de que o encontro do homem de hoje com Jesus é, como sempre foi, um evento de primeira importância. Por isso, não mede esforços para promover, como pastor universal da Igreja, a amizade verdadeira com Cristo, amizade decisiva, capaz de imprimir à vida uma nova direção e um colorido novo. O ardor do coração missionário do Papa quer atingir os corações dos sacerdotes e dos fiéis de toda a Igreja. O Evangelho deve ser comunicado! A Palavra deve ser anunciada! Os sacramentos da salvação devem ser administrados! O serviço da caridade jamais pode cessar! Na verdade, a Igreja existe para Deus e para abrir aos homens acesso a Deus, promovendo a fraternidade entre os membros da família humana, que deve tornar-se, cada vez mais, família de Deus. Assim, a comunicação não pode faltar! Bento XVI pede aos sacerdotes que lancem mão dos meios modernos de comunicação, principalmente daqueles que nos últimos anos conheceram uma larga difusão, como a internet, a fim de que a mensagem de Jesus Cristo possa difundir-se de modo eficaz no mundo contemporâneo. Os homens, que cada vez mais se valem dos novos meios de comunicação, devem ouvir, através deles, também o anúncio de Deus e do seu Filho amado, nosso Redentor. Disse o Papa com muito acerto e com a visão de um pastor que quer sempre acompanhar de perto as ovelhas que Cristo lhe confiou: “Também no mundo digital deve ficar patente que a amorosa atenção de Deus em Cristo por nós não é algo do passado nem uma teoria erudita, mas uma realidade absolutamente concreta e atual. De fato, a pastoral no mundo digital há de conseguir mostrar, aos homens do nosso tempo e à humanidade desorientada de hoje, que ‘Deus está próximo, que, em Cristo, somos todos parte uns dos outros’”. E lança a pergunta, que é um desafio para os sacerdotes: “Quem melhor do que um homem de Deus poderá desenvolver e pôr em prática, mediante as próprias competências no âmbito dos novos meios digitais, uma pastoral que torne Deus vivo e atual na realidade de hoje e apresente a sabedoria religiosa do passado como riqueza donde haurir para se viver dignamente o tempo presente e construir adequada mente o futuro?” Muitas vezes a difusão de mentiras e calúnias são tão difundidas que parecem tornar-se verdadeiras, e nós não estamos presentes no meio digital para dar a alternativa da verdade, restaurando-a ou anunciando-a. O grande segredo de toda comunicação católica é a pessoa que está por trás do teclado, da câmera, do microfone, da direção – se tiver princípios cristãos todo o trabalho será de utilidade para a vida humana com dignidade. A Igreja, com seus sacerdotes, deve levar a sério as palavras do Santo Padre. O êxito de sua missão evangelizadora depende, em parte, de seu empenho efetivo no campo dos modernos meios de comunicação, este vasto horizonte missionário que nos foi aberto. É certo, porém, e os sacerdotes estão conscientes disto, que o anúncio através dos novos media não substitui, de maneira alguma, o contato pessoal e a vida comunitária do Povo de Deus. Aliás, todo anúncio da fé deve reforçar concretamente os laços que nos unem a Cristo e entre nós, tornando autêntica a nossa vida comunitária, e benfazeja a nossa presença amiga entre os irmãos. Os sacramentos da nossa fé, que significam e comunicam eficazmente a graça da Redenção, só podem acontecer no âmbito bem concreto da vida comunitária da Igreja. E o serviço da caridade, do qual a Igreja jamais descuida, não pode renunciar ao contato vivo com o irmão. Desse modo, o empenho do sacerdote no anúncio do Evangelho através dos novos recursos e meios de comunicação que o mundo atual nos disponibiliza deve contribuir para promover e reforçar os laços da união dos homens com Deus e da unidade dos homens entre si. No texto da mensagem, o Santo Padre fala da “diaconia da cultura” que a Igreja é chamada a exercer. Com efeito, a cultura é o espaço onde o homem acontece. O homem gera a cultura, mas também é gerado por ela. A cultura, assim, pode ajudar o homem a desenvolver suas ricas potencialidades, mas também pode impor-lhe graves limitações. Prestar um serviço à cultura, no sentido de torná-la mais humanizada e humanizante, é dever de todos nós. E a Igreja sabe que o autêntico humanismo não coloca Deus entre parênteses. Sem Deus nenhum humanismo é verdadeiramente tal. A cultura precisa de Deus, porque o homem tem sede de Deus. Como ser naturalmente religioso, o homem só encontra o sentido último de sua existência tendo como referência fundamental o relacionamento com Deus. Santo Agostinho, grande conhecedor da condição humana, o exprimiu através de palavras que se tornaram célebres: “Fizestes-nos, Senhor, para vós, e nosso coração estará inquieto enquanto não repousar em vós” (Confissões I, 1). Assim, presta-se grandíssimo serviço à cultura quando a Igreja anuncia a Palavra de Deus, do Deus cheio de poder e de bondade que se manifestou em Jesus Cristo. Os sacerdotes, valendo-se da nova “ágora” dos tempos atuais, os novos media, contribuirão de modo decisivo para o incremento da cultura e o engrandecimento do homem de hoje. Até mesmo aqueles para os quais o Deus que nos fala em Jesus é ainda um desconhecido poderão ser atingidos, conforme as palavras do Papa: “Do mesmo modo que o profeta Isaías chegou a imaginar uma casa de oração para todos os povos (cf. Is 56,7), não se poderá porventura prever que a internet possa dar espaço – como o ‘pátio dos gentios’ – do Templo de Jerusalém também àqueles para quem Deus é ainda um desconhecido?” Os novos meios de comunicação constituem, na verdade, como bem disse Bento XVI, um “continente digital”, um amplo continente que está a reclamar a presença do anúncio salvífico. Avancemos para as águas mais profundas!
+ Orani João Tempesta, O. Cist. Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ
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