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18/06/2009

 

ABERTURA DO ANO SACERDOTAL E PEREGRINAÇÃO PAULINA DO CLERO

 

Na sexta-feira, dia 19 de junho, em Roma, o papa Bento 16 abriu o Ano Sacerdotal – em comemoração aos 150 anos do Santo Cura D’Ars, patrono dos padres. No mesmo dia, e na mesma hora aconteceu a Peregrinação Paulina do Clero das 9 dioceses da Província Eclesiástica de São Paulo à Catedral da Sé. O evento começou com a acolhida, seguida de oração e uma conferência sobre São Paulo, “Conquistado por Cristo”. Após aconteceu uma celebração penitencial onde bispos e padres se confessaram. Encerrou com uma Missa concelebrada por todo os padres e bispos das 9 dioceses.

 

>> Confira programação

>> Leia a Mensagem do Papa Bento XVI por ocasião da Peregrinação Paulina do Clero

>> Leia a Carta do Cardeal Dom Cláudio Hummes, Arcebispo Emérito de São Paulo, Prefeito da Congregação para o Clero

>> Leia a Carta do Cardeal Dom Odilo Scherer, Arcebispo de São Paulo, aos Padres para o início do Ano Sacerdotal

>> Leia a Carta do Papa Bento XVI para Proclamação de um Ano Sacerdotal por ocasião do 150º aniversário do nascimento  do Santo Cura D’Ars

 


Mensagem do Papa Bento XVI por ocasião da Peregrinação Paulina do Clero

 

SUA SANTIDADE

O PAPA BENTO XVI

 

com grande afeto e benevolência, saúda seus Irmãos no Sacerdócio da Província Eclesiástica de São Paulo, reunidos na Catedral Metropolitana no termo da “peregrinação paulina” que empreenderam com a Igreja inteira para – no rasto deixado pelo Apóstolo das Nações – “chegarmos, todos juntos, à unidade na fé e no conhecimento do Filho de Deus, ao estado de adultos, à estatura do Cristo em sua plenitude” (Ef 4,13). Faz quase um ano que vimos palmilhando o “Caminho” que é Jesus (cf. Jo 14,6), tendo recuperado a sólida confiança de Paulo: “Sei em Quem acreditei, e estou certo de que Ele é poderoso para guardar até aquele dia o bem a mim confiado” (2 Tim 2, 12). Nolo confiou em Quinta- eira Santa: naquela noite confiou-nos dois grandes dons: o dom de Si mesmo na Eucaristia e o dom do sacerdócio para continuar sua presença viva na Eucaristia. E, ciente dos dons dEle, cada um de nós ao tornar-se sacerdote não podia deixar de oferecer-Lhe o dom maior que tinha: um coração virginal, um corpo virginal, ou seja, o celibato sacerdotal que encarna o amor virginal de Cristo pela sua Igreja. Sobre esta recíproca pertença que abre o coração de todos vós para os horizontes eternos, o Santo Padre invoca renovada efusão do Espírito Santo que em cada um assegura a “fidelidade de Cristo” e leva a bom termo a “fidelidade do sacerdote”, desejando-lhes um consolador e fecundo Ano Sacerdotal – que hoje mesmo tem início, propondo a todos sacerdotes da terra o Santo Cura d´Ars como modelo, patrono e intercessor junto de Deus – ao conceder aos Bispos e sacerdotes da arquidiocese metropolitana de São Paulo e dioceses sufragâneas de Campo Limpo, Guarulhos, Mogi das Cruzes, Osasco, Santo Amaro, Santo André, São Miguel Paulista e Santos, extensiva às respectivas comunidades eclesiais, a implorada Bênção Apostólica.

Vaticano, 19 de junho de 2009.

 

Tarcísio Card. Bertone

Secretário de Estado de Sua Santidade

 

 


Carta do Cardeal Dom Cláudio Hummes, Arcebispo Emérito de São Paulo,

Prefeito da Congregação para o Clero

 

O ANO SACERDOTAL

Caros Sacerdotes,

O Ano Sacerdotal, anunciado por nosso amado Papa Bento XVI, para celebrar o 150º aniversário da morte de S. João Maria Vianney, o Santo Cura D’Ars, está às portas. O Santo Padre o abrirá a 19 de junho p.f., festa do Sagrado Coração de Jesus e Dia Mundial de oração pela santificação dos sacerdotes. O anúncio deste ano especial teve uma repercussão mundial positiva, especialmente entre os próprios sacerdotes. Todos queremos empenhar-nos com determinação, profundidade e fervor, a fim de que seja um ano amplamente celebrado em todo o mundo, nas dioceses, nas paróquias, em cada comunidade local, com envolvimento caloroso do nosso povo católico, que sem dúvida ama seus padres e os quer ver felizes, santos e alegres no trabalho apostólico quotidiano.

Deverá ser um ano positivo e propositivo, em que a Igreja quer dizer antes de tudo aos sacerdotes, mas também a todos os cristãos, à sociedade mundial, através dos meios de comunicação global, que ela se orgulha de seus sacerdotes, os ama, os venera, os admira e reconhece com gratidão seu trabalho pastoral e seu testemunho de vida. Realmente, os sacerdotes são importantes não só pelo que fazem, mas também pelo que são. Ao mesmo tempo, é verdade que alguns deles apareceram envolvidos em problemas graves e situações delituosas. Obviamente, é preciso continuar a investigá-los, julgá-los devidamente e puni-los. Estes casos, contudo, dizem respeito somente a uma porcentagem muito pequena do clero. Na sua imensa maioria, os sacerdotes são pessoas muito dignas, dedicadas ao ministério, homens de oração e de caridade pastoral, que investem toda sua vida na realização de sua vocação e missão, muitas vezes com grandes sacrifícios pessoais, mas sempre com amor autêntico a Jesus Cristo, à Igreja e ao povo, solidários com os pobres e os sofridos. Por isso, a Igreja está orgulhosa de seus sacerdotes em todo o mundo.

Este ano seja também ocasião para um período de intenso aprofundamento da identidade sacerdotal, da teologia do sacerdócio católico e do sentido extraordinário da vocação e da missão dos sacerdotes na Igreja e na sociedade. Isso exigirá congressos de estudo, jornadas de reflexão, exercícios espirituais específicos, conferências e semanas teológicas em nossa faculdades eclesiásticas, pesquisas científicas e respectivas publicações.

O Santo Padre, em seu discurso de anúncio, durante a Assembléia Plenária da Congregação para o Clero, a 16 de março p.p., disse que com este ano especial pretende-se “favorecer esta tensão dos sacerdotes para a perfeição espiritual da qual sobretudo depende a eficácia do seu ministério”. Por esta razão, deve ser, de modo muito especial, um ano de oração dos sacerdotes, com eles e por eles, um ano de renovação da espiritualidade do presbitério e de cada presbítero. A adoração eucarística pela santificação dos sacerdotes e a maternidade espiritual de monjas, de religiosas consagradas e de leigas referente a sacerdotes , como já proposto, tempos atrás, pela Congregação para o Clero, poderiam ser desenvolvidas com frutos reais de santificação.

Seja um ano em que se examinem de novo as condições concretas e a sustentação material em que vivem nossos sacerdotes, às vezes submetidos a situações de dura pobreza.

Seja, ao mesmo tempo, um ano de celebrações religiosas e públicas, que levem o povo, as comunidades católicas locais, a rezar, a meditar, a festejar e a prestar uma justa homenagem a seus sacerdotes. A festa na comunidade eclesial constitui uma expressão muito cordial, que exprime e nutre a alegria cristã, uma alegria que brota da certeza de que Deus nos ama e festeja conosco. Será uma oportunidade para desenvolver a comunhão e a amizade dos sacerdotes com a comunidade que lhes foi confiada.

Muitos outros aspectos e iniciativas poderiam ser nomeados para enriquecer o Ano Sacerdotal. Aqui deverá entrar a justa criatividade das Igrejas locais. Por esta razão, convem que cada Conferência Episcopal, cada diocese, cada paróquia e comunidade local estabeleçam, quanto antes, um verdadeiro e próprio programa para este ano especial. Obviamente, será muito importante começar o ano com um evento significativo. No próprio dia da abertura do Ano Sacerdotal em Roma com o Santo Padre, 19 de junho, as Igrejas locais são convidadas a participar, de algum modo, quiçá com um ato litúrgico específico e festivo. Os que puderem vir a Roma para a abertura, venham para manifestar assim a própria participação nesta feliz iniciativa do Papa. Deus, sem dúvida, abençoará este empenho com grande amor. E a Santíssima Virgem Maria, Rainha do Clero, intercederá por todos vós, caros sacerdotes!

Cardeal Dom Cláudio Hummes
Arcebispo Emérito de São Paulo
Prefeito da Congregação para o Clero

 

 

 


 

Carta de Dom Odilo aos Padres para o início do Ano Sacerdotal

 

Ano Sacerdotal 2009-2010:

“renova em ti o dom recebido!”

 

 

Estimados Padres

da Arquidiocese de São Paulo,

 

 

Com a solenidade do Sagrado Coração de Jesus, iniciamos o Ano Sacerdotal proclamado pelo papa Bento XVI para recordar os 150 anos do falecimento de São João Maria Vianney, patrono dos sacerdotes. O santo Cura de Ars, de fato, foi um sacerdote extraordinário, animado por um ardoroso zelo pastoral, dedicado inteiramente ao povo, ao atendimento das confissões, à catequese, à Eucaristia e ao serviço dos pobres e doentes.

 

E ainda encontrava um jeito para socorrer outros padres no cuidado pastoral do povo e dedicava tempo à oração, ao estudo e à preparação das homilias; eu mesmo fiquei impressionado, ao visitar a casa paroquial de Ars, vendo a boa quantidade de livros pertencentes ao santo Cura, muito sublinhados e anotados.

 

O povo, de todos os extratos sociais, reconhecia nele um verdadeiro homem de Deus e seus conselhos eram muito apreciados. Por isso, o papa Bento XVI proclama o Cura de Ars patrono de todos os sacerdotes, que podem ver nele a imagem do verdadeiro pastor do rebanho de Cristo.

 

Para nós, que também temos a graça de participar do sacerdócio de Cristo e de desempenhar este serviço sagrado, em seu nome, para o bem da Igreja e de toda a humanidade, o Ano Sacerdotal é uma ocasião especial para renovar nosso apreço pessoal e comunitário pelo dom que nos foi dado pessoalmente, mas em beneficio do povo de Deus.

 

Como São Paulo convidava Timóteo, seu jovem colaborador, a “renovar em si o dom recebido pela imposição das mãos” (cf 2Tm 1,6), assim a Igreja nos pede para redescobrirmos plenamente a grandeza, a dignidade e a beleza do nosso sacerdócio. Desta forma, olhando para Cristo, Sacerdote da nova e eterna Aliança, também nós podemos renovar o dom recebido pela imposição das mãos do bispo que nos ordenou, renovando também nossas disposições pessoais para continuar servindo a Cristo nos irmãos. Um dia Ele nos cativou e chamou ao seu seguimento; e é no renovado encontro com Ele que podemos sentir novamente nosso coração arder e se inflamar de gratidão e entusiasmo.

 

Ao mesmo tempo, este ano será de grande proveito para nós e para nosso povo recordar grandes sacerdotes, que tanto bem fizeram à Igreja ao longo da história; além do Cura de Ars, penso por exemplo, em S. João Bosco, S. Afonso Maria de Ligório, S. Filipe Néri, S. Inácio de Loyola, S.Francisco Xavier... Mas também perto de nós, tantas belas figuras de sacerdotes dedicados e zelosos, dão um testemunho extraordinário de vida sacerdotal e edificam o povo de Deus. Sacerdotes santos pisaram este chão paulistano e nos precederam na edificação da Igreja de Cristo nesta Metrópole: penso em no santo Frei Galvão, nos bem-aventurados padres Mariano e.Anchieta... E cada um lembra, certamente, outros grandes sacerdotes, que marcaram sua vida pessoal. Convido, pois, a redescobrir e valorizar, durante este Ano Sacerdotal, esses homens de Deus que nos precederam nas paróquias e nos serviços da Igreja, hoje confiados a nós.

 

Mais do que nunca, isso é necessário em nossos dias, quando a imagem do padre e a credibilidade de sua atuação no meio do povo foi seriamente comprometida por maus exemplos e lamentáveis casos de escândalo; o povo de Deus precisa receber novos sinais de credibilidade do nosso serviço e de nossa missão sacerdotal. Os bons exemplos precisam ser colocados em maior evidência; e, não há dúvidas, na Igreja há muito mais exemplos de sacerdotes exemplares e dedicados do que os lastimáveis casos de escândalo!

 

O Ano Sacerdotal também pode tornar-se, para nossa Igreja, uma ocasião favorável para dinamizar a pastoral das vocações sacerdotais; esta, de fato, é uma tarefa de todos os padres e, com eles, de todas as comunidades da Igreja; os padres são os principais promotores de outras vocações sacerdotais e, cada um de nós, deveria ter a preocupação de apresentar ao seminário bons vocacionados, de maneira que, depois de nós, haja quem continue nossa missão. Questão fundamental é que em cada paróquia e comunidade haja um serviço de animação vocacional e que seja promovida a oração intensa e perseverante pelas vocações.

 

Convido, pois, todos os padres da nossa Arquidiocese a viverem intensamente este Ano Sacerdotal, que se estenderá até a solenidade do Sagrado Coração de Jesus de 2010. Para tanto, estejamos atentos às motivações, orientações e iniciativas que serão propostas em vários níveis da vida eclesial: do próprio Papa Bento XVI e da Santa Sé; da CNBB Nacional e Regional e  da nossa Arquidiocese. Cada padre também pense nas iniciativas que poderá promover nos âmbitos de suas próprias responsabilidades, sobretudo com o povo das respectivas comunidades paroquiais.

 

Dentre as várias sugestões já apresentadas para a vivência do Ano Sacerdotal na nossa Arquidiocese, desde agora, já posso indicar duas iniciativas: a) a celebração, com todo o clero arquidiocesano, da Missa do Crisma na 5ª. feira santa de 2010; e também o retiro do clero, em comum, em Itaici, de 8 a 12 de março de 2010. Destaque especial seja dado, em agosto de 2009, à comemoração do Dia do Padre, nas paróquias, e à confraternização do clero, no dia 27 de julho de 2009.

 

Confio à iniciativa do Conselho de Presbíteros da Arquidiocese e da Comissão de Presbíteros de cada Região Episcopal, bem como aos encarregados da animação da Pastoral Presbiteral a promoção de outras iniciativas para a devida valorização do Ano Sacerdotal. Encorajo também os padres a valorizarem as reuniões do clero já previstas normalmente e a promoverem encontros espontâneos de oração, vida fraterna e apoio recíproco durante este ano.

 

O Regional Sul 1 também já está organizando uma peregrinação a Aparecida com todo o clero do Estado de São Paulo, em ocasião a ser ainda definida e divulgada oportunamente. Desde logo, convido todo o nosso clero a aderir a essa iniciativa.

 

Nas paróquias e comunidades, seja promovido o dia semanal de adoração eucarística e de oração pelas vocações sacerdotais. Para tanto, os Párocos poderão envolver as associações o organizações laicais (Apostolado da Oração, Movimentos, Ministros Extraordinários da Sagrada Comunhão, grupos diversos...), sem deixar de se envolver também pessoalmente na promoção dessa e de outras iniciativas semelhantes. Teremos também uma oração pelos sacerdotes, a ser divulgada e promovida no meio do povo. Os jubileus sacerdotais e os aniversários de ordenação são outras ocasiões a serem valorizados especialmente neste ano.

 

Antes de encerrar esta carta, desejo ainda acrescentar isso: é minha convicção que o melhor efeito do Ano Sacerdotal será obtido mediante nosso testemunho de convicta e alegre gratidão a Deus pelo dom do sacerdócio, que nos foi dado, e pelo generoso, humilde e atento serviço ao povo, “nas coisas de Deus”. O povo, na sua fé simples e correta, vê em nós “homens de Deus” e espera receber de nós a “Bênção” de Deus (bênção grande!) e que o ajudemos a chegar mais perto de Deus. E tem razão, pois é esta mesma a missão que a Igreja nos confia e para isso unge nossas mãos. A todos sirvamos, portanto, em nome de Jesus Cristo, com renovada consciência e gratidão!

 

De minha parte, prometo escrever-lhes cada mês uma carta pessoal, abordando vários aspectos da vivência do sacerdócio. Acompanho-os e, nas suas missões, estou a seu lado com minha oração diária. Que o exemplo de vida sacerdotal do santo Cura de Ars inspire o zelo pastoral de todos. E São Paulo, Patrono de nossa Arquidiocese, interceda por nós e nos ajude a sermos discípulos e missionários de Jesus Cristo nesta cidade imensa!

 

Saúdo e abençoo a cada um, no afeto do coração sacerdotal de Cristo Jesus!

 

 

São Paulo, 19 de junho de 2009,

Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, abertura do Ano Sacerdotal.

 

  

Card. D. Odilo P. Scherer

Arcebispo de São Paulo