Ano Paulino foi um ano de graça
No domingo passado, 28 de
junho, solenidade dos apóstolos
São Pedro e São Paulo, no encerramento
do Ano Paulino, Bento
16 ao rezar a oração mariana do
Ângelus falou aos fiéis reunidos
ao meio dia na praça de São Pedro
no Vaticano. Eis a mensagem do
Papa.
Queridos irmãos e irmãs!
Com a celebração das Primeiras
Vésperas de São Pedro e São
Paulo, que presidirei esta noite
na Basílica de São Paulo Fora dos
Muros, encerra o Ano Paulino,
convocado no bimilenário do nascimento
do apóstolo das gentes.
Foi um tempo de graça em que,
através de peregrinações, catequeses,
numerosas publicações
e várias iniciativas, a figura de
São Paulo foi proposta em toda a
Igreja e sua vibrante mensagem
fez reviver, especialmente nas
comunidades cristãs, o amor por
Cristo e o Evangelho.
Rendamos graças, portanto, a
Deus pelo Ano Paulino e todos os
dons espirituais que nos trouxe.
A Divina Providência assegurou
que há poucos dias, a 19 de
junho, Solenidade do Sagrado
Coração de Jesus, fosse inaugurado
outro ano especial, o Ano
Sacerdotal, com ocasião do 150º
aniversário da morte –dies natalis–
de São João Maria Vianney,
o Santo Cura d’Ars. Um novo
impulso pastoral e espiritual que
–estou certo– trará muitos benefícios
para o povo e, sobretudo,
para o clero.
Qual é a finalidade do Ano
Sacerdotal? Como escrevi na carta
que enviei aos sacerdotes, visa
a ajudar a promover os esforços
de renovação interior de todos
os sacerdotes para o seu mais
poderoso e eficaz testemunho do
Evangelho no mundo de hoje. O
apóstolo Paulo é, neste aspecto,
um modelo maravilhoso a imitar
não tanto na realidade da vida
–pelo fato de que era realmente
extraordinária– mas no amor a
Cristo, no zelo com a proclamação
do Evangelho, na dedicação
à comunidade, na elaboração de
uma eficaz síntese de teologia
pastoral.
São Paulo é exemplo de sacerdote
totalmente identificado com
o seu ministério –como também
o Santo Cura d’Ars–, consciente
de portar um tesouro inestimável,
que é a mensagem da salvação,
mas de trazê-lo em “vasos de
barro” (cf. 2 Cor 4, 7); então, ele é
forte e humilde ao mesmo tempo,
intimamente convencido de que
tudo é mérito de Deus, tudo é a
sua graça. “O amor de Cristo nos
constrange” – escreve o apóstolo,
e este pode muito bem ser o lema
de cada sacerdote, que o Espírito
“aproxima” (cf. Atos 20, 22) para
fazer um fiel administrador dos
mistérios de Deus (cf. 1 Cor 4,1-
2): o sacerdote deve ser todo de
Cristo e todo da Igreja, à qual é
chamado a se dedicar com amor
incondicional, como um marido
fiel a sua esposa.
Caros amigos, em conjunto
com os apóstolos Pedro e Paulo,
invoquemos a intercessão da Virgem
Maria, para obter do Senhor
bênçãos abundantes durante este
Ano Sacerdotal que começa. Maria,
que São João Maria Vianney
tanto amou e fez amar os seus
paroquianos, ajude cada padre a
reviver o dom de Deus que está
nele por força da santa Ordenação,
para que eles cresçam em
santidade e estejam prontos para
testemunhar, se necessário até o
martírio, a beleza de sua total e
definitiva consagração a Cristo e
à Igreja.