29/06/2010
Dia do Papa: a Igreja toda
rezava por Pedro
Nos Atos dos
Apóstolos, quando
se narra que São Pedro está preso,
lê-se que “a Igreja toda orava
a Deus por Pedro” (At 12,5). A
comunidade de Jerusalém temia
pela vida de Pedro, pois Herodes
já havia mandado matar o apóstolo
São Tiago... Mas esta preocupação
e a oração da comunidade denota
algo mais: o claro reconhecimento
que Pedro já tinha como chefe da
Igreja, aquele que recebeu o encargo
especial de zelar pelas ovelhas e
os cordeiros do rebanho de Jesus (cf
Jo 21,16) e de confirmar os irmãos
na fé (cf Lc 22,32).
A Igreja Católica mantém firme
esta referência a Pedro, hoje na pessoa
do seu sucessor, o papa Bento
16. Os outros apóstolos também
receberam o encargo de anunciar o
Evangelho, de congregar o rebanho
e de edificar a Igreja de Cristo. Mas
Pedro recebeu a missão especial de
manter unida a Igreja na fé, esperança
e caridade. Os outros apóstolos, hoje
na pessoa dos bispos, têm assegurada
a autenticidade de sua pregação e
de sua ação eclesial, em nome de
Cristo, quando estão unidos a Pedro.
O papa e os bispos, unidos com ele,
são os primeiros responsáveis por
toda Igreja. O papa representa a
universalidade da Igreja e uma de
suas principais missões é zelar pela
unidade do rebanho de Cristo, como
foi reafirmado por Bento 16 num
pronunciamento recente.
Por este motivo, os católicos têm
tanta consideração e respeito pela
pessoa do papa: é questão de fé,
pois levamos a sério a palavra clara
de Cristo no Evangelho e a tradição
mais primitiva da Igreja, também já
atestada por Paulo, nas suas cartas,
quando diz, por exemplo, que subiu
a Jerusalém para encontrar Pedro
e para confrontar a sua pregação
com a dos outros apóstolos (cf Gl
1,18; 2,1-2). Assim, se nossa fé
estiver conforme a “doutrina dos
apóstolos” (cf At 2,42), aquela mesma
testemunhada por Pedro e os
outros apóstolos, e seus sucessores,
também nós podemos estar seguros
de que guardamos e praticamos a
verdadeira fé da Igreja de Cristo.
Por isso mesmo, também hoje
rezamos especialmente pelo papa,
sucessor de Pedro e responsável
pela comunhão universal da Igreja,
em cada missa, após a Consagração;
e também rezamos pelo bispo local,
citando o seu nome, pois ele, unido
ao papa, reúne a Igreja da sua diocese
no nome de Cristo e na autenticidade
da fé apostólica. Como a comunidade
de Jerusalém, também nós continuamos
a rezar pelo sucessor de Pedro,
para que ele tenha a assistência do
Espírito Santo no exercício de sua
grande missão e responsabilidade
diante de toda a Igreja; rezamos e
pedimos para que ele seja confortado
em suas tribulações e preservado de
toda perseguição. Nosso respeito
ao papa, na ordem da fé, leva-nos
também a obedecer às suas orientações
e a levar em grande conta seus
ensinamentos.
Tudo isso nos é recordado na
comemoração da festa solene de
São Pedro e São Paulo; é o “Dia do
Papa”, dia também da unidade da
Igreja. Neste ano, no Brasil, a liturgia
comemora o martírio de São Pedro
e São Paulo no domingo, dia 4 de
julho. Rezemos, portanto, de modo
especial nas intenções do nosso papa,
Bento 16, e pela união de todos os
católicos com ele. Nesse dia, também
somos convidados a fazer nossa oferta
generosa do “óbolo de São Pedro”,
a coleta realizada em todas as igrejas
católicas no mundo “para o papa”.
É claro que ele, não usará para si o
fruto dessa coleta; ela é usada para
promover “a caridade do papa” em
todo mundo, sobretudo em relação
às comunidades mais pobres.
Card. D.Odilo P.
Scherer
Arcebispo de São
Paulo
Artigo publicado em
O SÃO PAULO, Ed de 29.06.2010