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22/06/2010

 

Avança o Congresso de Leigos

 

O 1º Congresso de Leigos da Arquidiocese de São Paulo chega à conclusão da sua primeira fase neste mês de junho. Foi o momento da reflexão sobre a vocação e a missão do cristão leigo na Igreja e no mundo. A Igreja possui uma grande variedade de organizações do laicato e uma rica história de sua atuação generosa na vida das comunidades. Em São Paulo, temos muito a agradecer aos leigos. Ao mesmo tempo, constatamos um déficit preocupante na evangelização de boa parte dos leigos, que apenas foram batizados, mas nunca tiveram uma experiência profunda de sua fé católica, nem se identificam muito com a Igreja. O Congresso de Leigos é uma ocasião para refletir sobre como podem os leigos ser mais eficazmente discípulos e missionários de Jesus Cristo para os outros leigos.

Ao mesmo tempo, a reflexão desta primeira fase do Congresso ofereceu a oportunidade para uma tomada de consciência sobre a realidade social, na qual os leigos vivem: um contexto de cidade grande, com enormes contrastes sociais e econômicos, carências e exclusões, desafios de toda ordem. Pois é nesse campo de missão que eles são chamados a ser luz, sal e fermento do Evangelho de Jesus Cristo e a colaborar, com outros grupos sociais, para a melhoria da cidade terrestre.

Os leigos são apóstolos do Evangelho no vasto mundo da família e das relações humanas básicas, do trabalho e das atividades econômicas, das relações culturais e políticas. Com o discernimento, a criatividade e as posturas inspiradas no Evangelho do Reino de Deus, eles podem e devem dar sua contribuição para que a convivência humana seja mais e mais condizente com o sonho de Deus para o mundo e a vida humana. São Paulo, reclamando da conduta indigna de alguns cristãos, escreveu: “não foi assim que aprendestes de Cristo”. No nosso caso, podemos dizer quer o Congresso de Leigos é uma ajuda para que todos os batizados possam comportar-se e agir no mundo “conforme aprenderam de Jesus Cristo”. A vida cristã coerente e profunda é um grande bem, não só para a própria pessoa e para a Igreja, mas também para toda a comunidade humana. Ser bom cristão, faz bem ao mundo!

É desejável que a conclusão desta primeira etapa do Congresso Arquidiocesano seja marcada por um congresso paroquial de leigos, embora o Regulamento não preveja isso. Os grupos e organizações, que se empenharam nessa fase inicial e fizeram as reflexões propostas, seriam muito enriquecidas se, agora, colocassem em comum suas reflexões e procurassem apontar caminhos para uma atuação mais incisiva das organizações dos leigos na vida da Igreja e da sociedade em suas realidades mais concretas.

Em seguida, inicia a 2ª. fase do Congresso, que consistirá na realização de oficinas temáticas nas Regiões Episcopais; delas participarão delegados de cada paróquia e organização de base das comunidades. É preciso passar do ver e julgar para a elaboração de projetos de ação missionária do laicato, quer nos âmbitos eclesiais, quer na sociedade. Para tanto, duas questões importantes devem ser levadas em conta: a organização do laicato e a sua formação. Já existem muitas expressões de organização dos leigos na vida eclesial, como as pastorais, os movimentos, as associações de fiéis, as novas comunidades, as agregações laicais em torno dos carismas da Vida Consagrada. Tudo isso é valioso e vem de uma longa experiência da Igreja. Mas também é desejável que os leigos se organizem por afinidades sócio-culturais e por categorias profissionais, como são os educadores, os profissionais da saúde, os agentes da justiça, da política, e assim por diante. Isso, de fato, dará a possibilidade de receber formação específica mais aprimorada.

A formação dos leigos, de fato, é sumamente necessária, para que os leigos tenham a mística do Evangelho e clareza suficiente sobre as orientações da Igreja a respeito das questões que devem enfrentar. A boa formação na Doutrina Social da Igreja é indispensável para a atuação do laicato no mundo como “sal da terra e luz do mundo”.

Card. D.Odilo P. Scherer

Arcebispo de São Paulo

Artigo publicado em O SÃO PAULO, Ed de 22.06.2010

 

 

 

 

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