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Artigos e Pronunciamentos de Dom Odilo Scherer |
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17/05/2010
A 48ª assembleia geral da CNBB
Por que a 48ª. assembleia geral anual da CNBB foi realizada em Brasília? R. A realização da assembléia geral da CNBB foi unida com a realização do 16º. Congresso Eucarístico Nacional. Neste ano, de fato, Brasília está comemorando o jubileu de ouro de sua inauguração como Capital e de sua criação como arquidiocese. No próximo ano, a assembleia geral da será realizada em Aparecida, junto do Santuário Nacional.
Muitas questões tratadas na assembleia da CNBB foram mostradas pelos Meios de Comunicação e repercutidas pela imprensa. Enquanto participante, e a partir de dentro da assembleia, como avalia o trabalho realizado pelos bispos na reunião? R. Foi uma reunião muito densa de conteúdo; de fato, além de acompanhar a vida e as atividades da Conferência, no seu todo, das Comissões Episcopais Pastorais e dos Organismos ligados à pastoral e à administração da Conferência, foram tratados vários temas de peso, como o serviço missionário da Igreja à Palavra de Deus no mundo, a atual importância e significado das comunidades eclesiais de base, as diretrizes da formação presbiteral no Brasil, os Direitos Humanos na atual política do Governo, o momento político em vista das eleições neste ano, o Acordo entre o Brasil e a Santa Sé e outros ainda. O bispos trabalharam intensamente, num clima de fraternidade e colaboração. Mas também rezaram juntos, com grande fé e alegria; as celebrações da Eucaristia foram realizadas no Santuário Dom Bosco, uma bela igreja do centro de Brasília.
Que frutos são esperados da reflexão e das orientações dos bispos sobre o tema central: O serviço missionário da Igreja à Palavra de Deus no mundo? R. As reflexões retomaram o tema da Assembléia do Sínodo dos Bispos sobre a Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja, de outubro de 2008. A Igreja recebe a “Palavra da salvação” como um dom precioso e não deve retê-la para si apenas, mas sua missão é compartilhar esse dom com o mundo, com toda a humanidade. Deus quer falar a todos por meio de nós, discípulos e servidores dessa Boa Nova para o mundo. O tema não chegou a ser tratado de modo exaustivo, pois estamos aguardando ainda a Exortação Apostólica do Papa sobre o Sínodo; será, certamente, um Documento muito rico e importante do Magistério da Igreja; a assembléia geral da CNBB enviou uma carta ao povo de Deus do Brasil, exortando a todos a acolherem e valorizarem muito a palavra do Papa. Enquanto isso, desde já, os bispos exortaram todos a terem grande amor e atenção à Palavra de Deus, ao seu estudo e leitura orante. A Palavra de Deus deve estar no centro da vida da Igreja e de cada cristão, discípulo de Cristo.
O Brasil vive um momento político importante e estamos num ano eleitoral; durante a assembleia da CNBB, a Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei de iniciativa popular “ficha limpa”. Qual foi a mensagem dos bispos para o ano eleitoral? R. Antes de tudo, os bispos acolheram com grande satisfação a aprovação, pela Câmara, do projeto de lei de iniciativa popular “ficha limpa”. Cerca de 90% das assinaturas recolhidas para introduzir esse projeto de lei no Congresso foram recolhidas por organizações ligadas à Igreja Católica e isso é um bom sinal. Agora, é desejada uma tramitação e aprovação rápida no Senado, para que a lei possa ser sancionada pelo Presidente da República, ainda em tempo para entrar em vigor para as eleições deste ano. Tomara que sim! Esta nova lei, que barra antes das urnas os candidatos a cargos políticos que tenham “ficha suja” na polícia, por graves crimes, e já tenham sido julgados e condenados por um colégio judicante, e não apenas por um único juiz. Para o ano eleitoral, a assembleia geral da CNBB emitiu uma Declaração importante, na qual exorta todos os cidadãos a participarem ativamente do processo político, procurando conhecer bem os candidatos e votar com consciência e com ética, em vista do bem comum e também em vista da defesa dos princípios que julgam importantes; é necessário votar em políticos comprometidos com a justiça e os Direitos Humanos legítimos, a defesa e a promoção da família, o respeito pleno à vida e à liberdade religiosa. É importante votar em pessoas capazes, honestas e afinadas com as próprias convicções e princípios. Os bispos exortam sobretudo os cristãos leigos a participarem da política, como cidadãos e como cristãos.
Neste Ano Sacerdotal, qual foi a palavra dos bispos aos sacerdotes? R. Os bispos escreveram uma bela carta aos padres de todo o Brasil, agradecendo seu trabalho e sua dedicação à Igreja, encorajando-os a perseverarem e a buscarem a santidade de vida, no seguimento fiel a Jesus. Os sacerdotes são muito importantes para a Igreja e sua vocação em um valor imenso diante de Deus e diante da comunidade dos fiéis. Os bispos também disseram uma palavra sobre os males causados pelo comportamento indigno de alguns sacerdotes pelo mundo afora e também no Brasil. Estes foram exortados a se converterem, a pedirem perdão a Deus e às vítimas de seus abusos e a responderem perante a justiça pelos seus atos. A Igreja não ensina a cometer delitos, não os aprova e lamenta muito os males causados, também a ela própria, por esses tristes fatos. Mas, ao mesmo tempo, a CNBB deu sua palavra de apreço pela imensa maioria dos padres, que têm comportamentos dignos e fazem tanto bem ao povo. Os bispos pedem também ao povo que reze pelos seus padres, apoiando-os em sua missão.
Como avalia a cobertura da assembléia geral pela imprensa? R. A imprensa, de modo geral, sempre se interessa muito pelas assembléias da CNBB e não foi diferente desta vez. Todos os dias havia uma coletiva de imprensa, bastante concorrida, durante a qual os órgãos de imprensa eram informados sobre o desenrolar dos trabalhos da assembléia e, de modo especial, a imprensa ligada à Igreja divulgou muito a assembléia dos bispos, inclusive transmitindo, ao vivo, vários atos da assembleia. Desejo manifestar meu especial apreço e agradecimento também ao Vicariato Episcopal para a Pastoral da Comunicação, que acompanhou e divulgou constantemente a assembleia e também o Congresso Eucarístico. Foi um grande serviço prestado à Igreja. Card. D.Odilo P. Scherer Arcebispo de São Paulo Publicada em O SÃO PAULO, Ed de 17.05.2010
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