Fiéis celebram a Paixão do Senhor na catedral

Fiéis encheram a Catedral da Sé, nesta Sexta-feira Santa (22), às 15h, para a Celebração da Paixão do Senhor, presidida pelo arcebispo de São Paulo, cardeal dom Odilo Pedro Scherer, marcando o segundo dia do Tríduo Pascal.
A cerimônia, realizada no único dia do ano em que não se celebra a missa, acontece no horário em que se deu a morte de Jesus. Este rito é marcado pela proclamação da Paixão do Senhor segundo o São João e com a adoração da santa cruz.
Esta celebração é marcada pelo silêncio que já expresso logo no início, quando o celebrante do altar, em silêncio, e se prostra, como gesto de adoração ao mistério da paixão do Senhor.
Na liturgia da Palavra, a leitura do livro do profeta Isaías, que fala sobre o “servo sofredor”, prefigura o que aconteceria com Cristo em sua paixão. “Foi maltratado, e submeteu-se, não abriu a boca; como cordeiro levado ao matadouro ou como ovelha diante dos que os tosquiam...” (Is 52, 8). Na segunda leitura, a trecho da Carta aos Hebreus fala de Jesus Cristo, sumo sacerdote capaz de se compadecer das fraquezas humanas, pois ele mesmo foi provado, com exceção do pecado.
A proclamação do Evangelho da paixão é dialogada entre os leitores, com alguns momentos em que os fiéis, reproduzem o que o povo aclamou durante o julgamento e condenação de Jesus, ao gritarem “crucifica-o”.
Após a proclamação da paixão do Senhor, dom Odilo fez uma reflexão, na qual destacava que naquele momento narrado pelo Evangelho, acontecia “a imolação do cordeiro pascal”. “Jesus, o Filho de Deus, que está entrando no santuário com o sacrifício de sua vida, do seu sangue, para se apresentar diante de Deus e invocar para todos nós misericórdia, perdão, Salvação”, afirmou o cardeal, referindo-se também ao que foi dito na Carta aos Hebreus.
O cardeal motivou os a se aproximarem da cruz de Cristo não simplesmente com piedade, mas com fé, “com o olhar de quem agora já sabe o que ali aconteceu”, recordando que muitas das pessoas que testemunharam a crucificação não sabiam o que de fato estava acontecendo.
Continuando, o arcebispo convidou os fiéis a refletirem sobre que atitude deve se tomar diante da paixão de Jesus Cristo. “Quais são as atitudes que a nós convém, celebrando a Paixão como pessoas de fé, como discípulos de Jesus Cristo, como quem assiste, não mais olhando de longe, mas de perto, como quem está envolvido no drama da Paixão?”, indagou dom Odilo.
De acordo com o cardeal, a primeira atitude a ser tomada diante do mistério da paixão é o arrependimento. “Ele [Jesus], inocente, apresentou-se diante de Deus Pai, pediu perdão por todos nós. Agora cabe a nós acolher este perdão”, disse.
Uma segunda atitude reforçada por do Odilo é a conversão. “Olhando para Cristo na sua cruz, nós somos convidados a crescer em santidade. Isto significa crescer em adesão a ele e seu Evangelho”.
Por fim, o cardeal salientou que a morte de Jesus e sua paixão foram uma grande violência. “Que pena que as violências do mundo não cessaram. Por que não cessa? Porque continuam a fazer os mesmos pecados que levaram à violência contra Jesus”, lamentou dom Odilo, ressaltando que, hoje, a violência contra Jesus se comete contra toda pessoa que sofre violência e tem sua dignidade ferida.
Adoração da cruz
Após a conclusão da liturgia da Palavra, com a Oração Universal, na qual reza-se por várias intenções – Igreja; papa; ordens e categoria de fiéis; catecúmenos; unidade dos cristãos; judeus; os que não creem do Cristo; os que não creem em Deus; poderes públicos; e todos os que sofrem tribulações –, começou o rito de adoração da santa cruz, que é trazida coberta com um tecido vermelho.
Dom Odilo começou a tirar o tecido, cantando o refrão “Eis o lenho da cruz, do qual pendeu a salvação do mundo”. Em seguida, todos adoraram a santa cruz com um gesto de veneração expresso pelo beijo. Tal gesto foi repetido por todos os fiéis que participavam da celebração.
A celebração continuou com o rito da comunhão. Como não houve celebração eucarística, todos comungam da Eucaristia consagrada na Missa da Ceia do Senhor, celebrada na noite da Quinta-feira Santa.
A ação litúrgica da Paixão do Senhor terminou com uma oração sobre o povo, uma vez que a bênção final só será proferida no final da Vigília Pascal, no Sábado Santo.
Nesta ocasião, é realizada uma coleta em todas as Igrejas do mundo, destinada aos lugares santos na Terra Santa.
Procissão toma ruas de São Paulo
Cerca de mil pessoas participaram da procissão que percorreu as ruas do centro de São Paulo na noite desta Sexta-feira Santa (22). Saindo da Catedral da Sé, os fiéis passaram pelas ruas XV de Novembro, São Bento e Direita, com velas acesas acompanhando as imagens do Senhor Morto e de Nossa Senhora das Dores. O cardeal dom Odilo Scherer também participou deste momento de devoção.
O cura da catedral, cônego Walter Caldeira, a devoção das procissões, sobretudo na Semana Santa, é uma maneira do povo reverenciar o mistério da paixão de Jesus, e também um momento forte para recordar as muitas mortes que acontecem nos dias de hoje.
Para o cura, as pessoas costumam se identificar mais com os ritos e devoções da Sexta-feira Santa, justamente por verem no sofrimento de Jesus seus sofrimentos cotidianos. “Não cultuamos a morte e tristeza, mas, ao lembrar a morte de Jesus, recordamos, também que após o sofrimento e a morte, vem a vitória da ressurreição”, destacou.
Maria da Conceição Silva, participou da procissão na Sé pela primeira vez. “É muito emocionante participar de um momento como esse. Podemos testemunhar nossa fé pelas ruas”, disse.
(Fotos: Luciney Martins)






