10º Plano de Pastoral

Apresentação

Na assembléia arquidiocesana de pastoral do dia 8.11.2008, foi aprovado o 10º Plano de Pastoral da Arquidiocese de São Paulo. Discípulos-missionários na cidade: esse título indica os enfoques principais do Plano e deverão orientar toda a nossa ação evangelizadora e pastoral nos próximos 4 anos: como cristãos e católicos, trazemos a identificação com Jesus Cristo e sua Igreja; de Cristo discípulos, dele recebemos a constante inspiração e motivação para sermos missionários e atuarmos como suas testemunhas na cidade de São Paulo.

Evidentemente, um Plano de pastoral não substitui nem invalida a Bíblia, o Catecismo da Igreja, o Direito Canônico e as Diretrizes já existentes em nossa Igreja; ele serve para melhor traduzir na prática essas referências fundamentais da vida e da ação da Igreja. E também tem a finalidade de situar melhor a atuação eclesial de nossa Arquidiocese no contexto da missão universal da Igreja; ao mesmo tempo, no âmbito das realidades nas quais estamos mergulhados. Enfim, o Plano destaca prioridades pastorais e deve assegurar a unidade de toda a ação evangelizadora e pastoral da Arquidiocese.

Nosso 10º Plano é uma tentativa de resposta aos apelos de Deus vindos através de diversas “vozes”: da cidade de São Paulo, com suas riquezas e suas misérias, que nos desafia a sermos corajosos discípulos de Cristo e a darmos nesta metrópole um testemunho renovado e vigoroso do Evangelho; da situação de nossas comunidades eclesiais, muitas vezes cansadas e desmotivadas, que precisam recobrar coragem e rumo, olhando para Cristo. Vozes da Igreja, nas orientações da Conferência de Aparecida, que nos pede para sermos uma Igreja verdadeiramente discípula de Jesus Cristo, em estado permanente de missão; das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (2008-2010), aprovadas pela CNBB; do Magistério, especialmente dos Documentos Pontifícios mais recentes; do Ano Paulino e do fato de termos, agora, como Patrono o Apóstolo S. Paulo.

Na elaboração do novo Plano de Pastoral houve atenção especial à situação religiosa e eclesial de São Paulo; ao fato da freqüente desorientação de católicos, que deixam a Igreja, talvez porque nunca foram evangelizados por nós e não desenvolveram um forte senso de pertença à Igreja. Atenção especial ainda é reservada ao fato de sermos uma Igreja inteiramente urbana; isso deve marcar de forma específica nossa presença eclesial e ação pastoral; mas também ao contexto sócio-econômico e cultural de nossa cidade e da vida do povo e dos muitos pobres e excluídos e sofredores da cidade, cuja situação não nos deve deixar indiferentes.

Algumas questões de fundo marcam este Plano e são preocupações que nos devem acompanhar constantemente na sua aplicação prática. Antes de tudo, a fidelidade à missão integral que a Igreja recebeu de Jesus Cristo, sacerdote, profeta e pastor. Devemos estar sempre atentos para não descuidar nenhum dos três grandes âmbitos da vida e da missão da Igreja: missão profética (Palavra, formação cristã), missão santificadora (Liturgia, mística); missão pastoral (Caridade pastoral, em todos os sentidos).

O Plano também traz a preocupação da “conversão pastoral”, pedida em Aparecida e, hoje, tão necessária para sermos uma Igreja verdadeiramente discípula e missionária de Jesus Cristo na cidade grande. Cada comunidade, grupo e pastoral deveria perguntar-se: o que isso significa e que tipo de mudanças precisam acontecer, para realizarmos essa conversão pastoral? Por isso, o 10° Plano dá uma atenção especial aos “sujeitos eclesiais”, mais que aos programas e estratégias de ação; esses sujeitos eclesiais são as pessoas e também as instituições e organizações da Igreja, como a própria Arquidiocese, as Regiões Episcopais e Paróquias, com suas numerosas comunidades, grupos, pastorais, movimentos e organizações de vida eclesial e pastoral. São eles que precisam realizar a conversão pastoral e missionária, a partir de um encontro pessoal e profundo com Jesus Cristo, para serem animados por novo espírito e nova disposição; depois disso, também os projetos e programas pastorais tomarão novo sentido.

Enfim, o 10° Plano nos estimula a sermos uma Igreja em estado permanente de missão na realidade urbana de São Paulo, onde há grandes desafios e problemas, mas também oportunidades extraordinárias para a ação evangelizadora. Este é o lugar de nossa missão! Deus habita esta cidade e ama seu povo! Somos enviados por Deus a esta metrópole para testemunharmos isso, de muitas formas, com alegria e esperança.

E agora, pouco a pouco, será colocar em prática o novo Plano em toda a nossa Arquidiocese; para isso, ele deve chegar a toda a comunidade arquidiocesana, especialmente nas mãos dos padres, pastores e guias das comunidades, dos coordenadores e animadores de organizações pastorais, movimentos e grupos eclesiais. Seja estudado, refletido e posto em prática, com a ajuda de Deus e a proteção de Nossa Senhora da Assunção!

O apóstolo São Paulo, nosso Patrono, o Beato Padre Anchieta, S. Antônio de Sant’Ana Galvão, Santa Paulina e o Beato Padre Mariano intercedam por nós e nos ajudem! Afinal, estamos empenhados hoje na mesma missão que, um dia, foi deles nesta cidade, amada por eles e santificada pelo seu testemunho e ação de discípulos e missionários de Jesus Cristo!
 

 


Card. D. Odilo P. Scherer
Arcebispo de S.Paulo
São Paulo 30.11.08